O que o CMV realmente mede

CMV significa custo da mercadoria vendida. No restaurante, ele representa o custo dos ingredientes e insumos efetivamente consumidos para produzir os itens vendidos no período. O indicador não deve ser confundido com o total comprado no mês: uma compra pode permanecer no estoque e só virar custo quando houver consumo.

Cruze três fontes antes de confiar no resultado

  1. Ficha técnica: informa quanto cada venda deveria consumir.
  2. Movimentação de estoque: mostra compras, perdas, contagens e saídas reais.
  3. Vendas concluídas: define quais itens e quantidades pertencem ao período.

Se uma pizza vende por R$ 60 e sua ficha consome R$ 18 em ingredientes, o custo teórico é 30% da venda. Mas esse número só se sustenta quando as quantidades da receita, os preços de compra e o estoque físico estão atualizados. Uma diferença recorrente entre o consumo teórico e a contagem costuma apontar rendimento incorreto, desperdício não registrado, porcionamento inconsistente ou cadastro desatualizado.

Erros que distorcem o CMV

  • Lançar toda compra como despesa operacional e também reconhecer o custo da venda.
  • Usar preço antigo de ingrediente na ficha técnica.
  • Ignorar perdas, cortes, rendimento e transformação de preparos.
  • Comparar períodos diferentes entre venda, compra e estoque.
  • Calcular uma média geral sem olhar produtos e canais.

Como transformar o indicador em decisão

Comece pelos produtos de maior volume e menor contribuição. Confira ficha, custo de compra, taxa do canal e preço praticado. Depois observe os ingredientes que limitam produção ou apresentam diferença nas contagens. A decisão pode ser renegociar uma compra, corrigir porção, rever preço, reduzir desperdício ou ajustar o mix — sempre com a origem do número visível.

CMV útil não é apenas uma porcentagem: é a ligação verificável entre o que foi comprado, produzido, vendido e contado.

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